Por admin ⋅ 25 de June de 2009
Uma vez nas mãos de um único desenvolvedor de sistema operacional, todos teremos que seguir o seu ritmo e acatar as determinações econômicas e culturais por ele impostas
- por Sérgio Amadeu
Um pouco mais da metade da população brasileira teve acesso ao computador pelo menos uma vez. As lan houses, os pequenos postos de serviço, os cyber cafés tiveram uma importância decisiva para isso acontecer. Mas não podemos esquecer que a metade da população mais pobre ainda não tem acesso à rede mundial de computadores. É preciso avançar ainda mais no processo de inclusão da nossa sociedade na era da informação. Existem vários caminhos. Um deles é apostar na inclusão digital com autonomia tecnológica. Esse é o caminho do software livre e dos padrões abertos. Existe uma oportunidade gigantesca para o uso de softwares desenvolvidos colaborativamente, com o código-fonte acessível e sem custo de licenciamento. O software mais pirateado do planeta certamente é o sistema operacional Windows. Então, por que o seu código-fonte é fechado se isto não impede a sua cópia não-autorizada? Exatamente para tentar bloquear a liberdade de conhecimento sobre seus procedimentos e rotinas, para dificultar a interoperabilidade de aplicações, para atrasar a comunicação entre ele e um novo software de outra empresa pois a idéia das soluções proprietárias é tornar os usuários aprisionados às suas soluções. Uma vez “nas mãos” de um único desenvolvedor de sistema operacional, todos teremos que seguir o seu ritmo e acatar as determinações econômicas e culturais por ele impostas.
Assim, se uma lan house usa apenas software proprietário ela acaba ficando completamente dependente do monopólio de algoritmos. Até mesmo os formatos de documentos que utilizam só abrem em um único produto. Por exemplo, o “docx” não abre nem mesmo na versão anterior do mesmo produto. Por que tal absurdo? Para nos obrigar a seguir as determinações tecnológicas do monopólio de software. Para acompanhar o ritmo de obsolescência programada pelo fornecedor.
Quanto mais nosso país utilizar software livre mais estaremos livres para desenvolver soluções e escolher os melhores produtos, pois com o código-fonte dos softwares abertos, qualquer coletivo tecnicamente capacitado poderá alterá-lo, melhorá-lo e distribuir suas alterações. No mundo das redes, por exemplo, o software livre chamado Apache está presente em mais da metade dos servidores do planeta. O navegador Firefox e o Open Office ganham qualidade e crescem em número de usuários. A Nasa, a Bolsa de Valores de Nova York, o Yahoo e o Google usam software livre. A Wikipedia, maior enciclopédia do mundo, além de seguir o modelo de construção colaborativa do software livre, roda sobre Gnu/Linux e Apache. O Wordpress, uma das melhores ferramentas de blogs, é um software livre e que pode ser muito bem utilizado pelas lan houses e seus usuários.
As lan houses podem começar a usar soluções livres gradativamente. Em vez de desperdiçar dinheiro com licenças podem usar Gimp, Office.br, Orca Linux, TV Miro, Firefox, Brasero, Amarok, entre outros dos mais de 150 mil softwares de código aberto desenvolvidos pelas comunidades livres no planeta. Esta ação, além de baratear custos e evitar as soluções “piratas”, permitirá que milhares de jovens talentosos,por conhecer o código-fonte dos softwares, passem a ser desenvolvedores. As lan houses e o país economizam e ganham autonomia e conhecimento tecnológico.
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