Pesquisas

Pesquisa Cultura Data: Novo papel para as lan houses

Por  admin 25 de June de 2009

Os videogames ainda não foram destronados nas lan houses paulistanas, mas perdem cada vez mais espaço entre as preferências de seus jovens frequentadores de todas as classes sociais, que agora buscam também comunicação, informação, pesquisa e relacionamento.

Esta é a principal conclusão de um estudo coordenado pelo Cultura Data, setor de pesquisa da Fundação Padre Anchieta, que ouviu 349 usuários e 27 donos de lojas de São Paulo, de bairros com realidades tão distantes quanto Heliópolis e Jardins.

Outra descoberta: mesmo quem tem computador em casa usa este serviço com frequência, quando está na rua. A maioria é do sexo masculino, tem até 24 anos, pertence às classes C e D e, além de trocar mensagens, costuma assistir vídeos, filmes e ouvir rádios. Os jovens visitam as lojas pelo menos uma vez por semana e ficam conectados por mais de uma hora.

A pesquisa indica ainda que as lan houses também facilitam as pesquisas escolares, as consultas sobre cursos de qualificação e a busca por oportunidades de emprego. Ou seja: os usuários são internautas também em busca de conteúdo qualificado.

Uma pesquisa ampla

Conhecer o comportamento dos usuários de lan houses foi o desafio dos pesquisadores do Cultura Data, na consulta realizada de 10 a 17 de dezembro de 2008.

A amostra colheu dados em lojas situadas em todas as regiões da cidade de São Paulo e utilizou questionário com perguntas abertas e fechadas. Além dos usuários, procurou conhecer algumas peculiaridades das lojas, do ponto de vista de seus proprietários ou responsáveis presentes no momento da entrevista.

Um número significativo, 17% dos usuários consultados, tem nas lan houses sua única forma de acesso à Internet. Para 40%, o acesso se dá na casa de amigos, enquanto 17% entram na rede na própria casa, 15% no trabalho e 12% na escola. A pesquisa mostra que navegar na Internet é um hábito cada vez mais frequente na vida dos paulistanos. Mais da metade dos pesquisados (55%) incorporou o custo do acesso aos seus gastos mensais e cerca de um em cada três (36%) acha barato o valor pago pelo uso dos equipamentos, que varia entre R$1,50 e R$ 2,00 a hora.

O estudo demonstra que as casas de jogos on-line estão se transformando em espaços públicos de inclusão digital, revelando uma tendência crescente por busca de conteúdos educativos e informativos.

Essa transformação insere o usuário num universo de relacionamentos, que ampliam suas oportunidades de crescimento pessoal e cultural. Para os proprietários das lojas, representa uma oportunidade para reconfiguração do negócio.